Roteiro para Planejamento Estratégico
Autora: Silvana Monteiro*

Planejar é Preciso


Nas entidades voltadas às causas sociais, planejar não é preciso apenas porque reduz os riscos de uma ação frustrada por um mau resultado. Planejar é imprescindível porque a ação proposta mobiliza a crença do beneficiário que, em nenhuma hipótese pode ser perdida, já que, na maioria das vezes, se constitui no combustível que impulsiona a sua vida, seu único capital.
Considerando que com o fenômeno da tecnologia da informação as gestões modernas vivem “ondas” de modismo, sendo uma das atuais o Planejamento Estratégico, banalizado e feito sem a devida clareza do que seja e de sua serventia, torna-se necessário esclarecer o que é Planejamento, e como se pode usar este instrumento gerencial, em suas duas dimensões, a estratégica e a operacional.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES
PARA A SUA INSTIUIÇÃO:

 
O Planejamento Estratégico foca os aspectos globais ou sistêmicos da entidade. Acontece, portanto, muito mais no plano institucional que no plano organizacional, uma vez que sua grande inspiração está em valores intra-institucionais. Seu horizonte é extenso e seu prazo longo. O Planejamento Estratégico deve olhar para os valores da instituição e a partir deles identificar ou evidenciar sua visão, sua missão e as estratégias para atingi-las.


VISÃO, MISSÃO E ESTRATÉGIA.

Determinação da VISÃO:

A VISÃO da entidade deve determinar o PORQUÊ da sua existência. Talvez o termo “visão” derive do fato de projetar um ponto para onde convergem todos os olhares da entidade, seus esforços, suas crenças, e seus recursos.

A Visão deve se traduzir em uma frase curta, que faça sentido para qualquer um que a escute. Deve entrar no coração, emocionar. Ser, por fim, o que torna a entidade uma instituição.

EX: Reconheço a Visão do Movimento de Mulheres do Nordeste - MMN como:

“O Movimento de Mulheres do Nordeste tem como visão a elevação, pessoal, social, econômica e política da mulher nordestina”.

Determinação da MISSÃO:

A MISSÃO da entidade deve determinar o PARA QUÊ de sua existência, definindo de forma realista e objetiva o que a instituição está disposta a fazer em prol de sua Visão.

A Missão deve também se traduzir em uma frase curta que oriente todas as ações da instituição. Usando o mesmo exemplo, eu diria:

“Promover ações sociais, culturais, ambientais que promovam melhoria na qualidade de vida das mulheres do Nordeste, respeitando suas convicções e seus costumes”.


Determinação das ESTRATÉGIAS:

Planejar estrategicamente consiste avaliar o cumprimento da Missão dentro do contexto interno (análise de fatores endógenos) e dentro do contexto externo (análise de fatores exógenos). Tanto o olhar interno quanto o olhar externo devem estar fundamentados na análise sistêmica que pressupõe interdependência e complementaridade.

Análise situacional interna

Este exercício deve considerar a entidade como um universo e seus diferentes aspectos, como parte deste contidas dentro dele e, portanto, sob o seu controle; o desempenho de cada uma dessas partes pode influenciar o desempenho das outras e alterar para melhor ou para pior o desempenho do todo. São partes da entidade: modelo de gestão, capacidade técnica, sustentabilidade, porte, imagem, relacionamento institucional, projetos, cultura etc.

Na visão sistêmica, identificar internamente os pontos fortes e os fracos remeterá a instituição à busca de estratégias que harmonizem os possíveis desequilíbrios entre esses pontos a curto-prazo.
- Pontos fortes: são variáveis internas, controláveis que favorecem o cumprimento da Missão. Devem ser potencializados.
- Pontos fracos: são variáveis internas, controláveis que desfavorecem o cumprimento da Missão. Devem ser eliminados ou contornados.

Análise do ambiente interno permite a organização conhecer e potencializar seus pontos fortes e eliminar ou neutralizar seus pontos fracos e pode propiciar a mudança em projetos, pessoas, processos, procedimentos, políticas internas etc.

Essas mudanças, no entanto, devem ser cuidadosas e considerarem a inter-relação e conseqüente influência recíproca das partes deste sistema.

Análise situacional – ambiente externo

Agora a entidade sai, deixa de ser o universo para ser parte de um universo maior que é o sistema em que está inserida, interagindo do com ela e influenciando o seu desempenho, estão: legislação, governos, financiadores, fornecedores, tecnologia, sociedade, economia, cultura local etc.

No ambiente externo estão:

Oportunidades: São variáveis externas, não controláveis pela organização, que podem criar condições favoráveis ao cumprimento da Missão. Devem ser exploradas.
Ameaças: São variáveis externas, não controláveis pela organização, que podem criar condições desfavoráveis ao cumprimento da Missão. Devem ser evitadas ou contornadas.

O estudo do ambiente externo ou ecossistema deve ser cuidadosamente feito com a finalidade de que a instituição possa se beneficiar das oportunidades que estes fatores externos oferecem para o seu máximo desempenho; a instituição possa evitar as ameaças que os fatores externos podem lhe impor; e em caso de mudanças do ecossistema, possa adaptar-se mantendo inalterada sua missão, propósito, valores.

A partir da desta análise a organização está pronta para definir os projetos de curto, médio e de longo prazos, que a levem em direção à sua Visão de Futuro, ressaltando-se, no entanto, que a implementação dos projetos definidos requer um cuidadoso estudo de viabilidade que é o Planejamento Operacional.

O Planejamento Operacional concentra-se nas formas de utilização dos recursos disponíveis de forma a proporcionar o perfeito funcionamento das partes da organização ou da ação. Deve apontar: os recursos necessários para a implementação da atividade, os procedimentos, os processos, os produtos ou resultados finais, os prazos e os responsáveis.

O resultado do Planejamento Operacional aumenta as possibilidades de EFICIÊNCIA, ou seja, contribui para garantir a plena utilização dos recursos empregados e sua função é responder às seguintes questões:

- O que será feito?
- Onde e Quanto e porque será feito?
- Como será feito? Por quem será feito?
- Com quê será feito?
- Que resultado proporcionará a curto, médio e longo prazo?

Um bom planejamento operacional gera um resultado positivo na relação custo benefício, pois auxilia a organização a obter o máximo de retorno com o mínimo de investimento, razão pela qual deve fazer parte de sua rotina.

O Planejamento Estratégico deve ser feito, uma vez só enquanto os propósitos da entidade forem os mesmo, preferencialmente com a participação de todos os membros da entidade, de maneira democrática, sob a orientação de um profissional externo à organização e deve ser revisto (para um alinhamento) pelo menos a cada dois anos para que as linhas estratégicas sejam adequadas a novos fatores internos e externos. Já, o Planejamento operacional deve ser feito por profissional interno, com a participação de toda a equipe técnica da organização envolvida diretamente nas ações planejadas.

   
 
 
 

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